Teenage Wasteland!

domingo, dezembro 24, 2006

Ora Pois!



Continuando...

De Roma fui direto a Paris. O pacote que compramos cobria Itália apenas, mas como voamos pela Air France (aliás excelente companhia) a escala era obrigatória e a nossa querida agente de viagens nos aconselhou a dar uma esticada na cidade das luzes. Pois bem, lá ficamos 5 dias sem lenço, sem documento e nem guia turística.

Se por um lado os dias eram quentes e ensolarados na Itália, em Paris era frio e nublado. Mas acreditem: as paisagens são belas e a cidade é realmente maravilhosa.

O aeroporto Charles De Gaulle é uma cidade. Para se ter uma idéia nele há duas estações de metrô. O atendimento foi ruim mas tenho certeza de que foi pelo fato de ter falado inglês. Saindo de lá, pús em prática o meu italiano básico e o meu portunhol e o tratamento mudou da água para o vinho. Por isso devo fazer justiça: nós escutamos falar que os franceses são grossos, mas a verdade é que eles são grossos com os ingleses e americanos, e não se sentem na obrigação de aprender inglês, coisa que para nosso mercado de trabalho é quase obrigatório. Se você for a Paris, fale tudo menos inglês. Mesmo não sabendo uma palavra de francês, os parisienses foram gentilíssimos comigo; ainda melhores que os italianos. Mas como toda regra tem sua excessão, cuidado com os garçons.

Logo no aeroporto comprei um bilhete que me permitia andar de metrô e ônibus quantas vezes quizesse durante uma semana. Não cheguei a pegar nenhum ônibus, pois o metrô é espetacular; chega ser tão bom quanto londrino. A capilaridade da malha é impressionante e você sempre encontra uma estação próssima; inclusive havia uma do lado do meu hotel, o que foi uma verdadeira mão na roda.

O ponto alto da viagem foi o Chateau de Versailles. Não pelo castelo em si, no qual nem entrei, mas pelo jardim. É uma visita que pode levar o dia todo. Se por um lado os italianos são grandes artistas, os franceses são excelentes jardineiros. Tirei as melhores fotos lá. O clima estava - como sempre - nublado e chegou a chover, mas me escondi numa lojinha de lembranças, onde aproveitei para trazer mais uma caneca para minha coleção.

Andei na Champs-Elysees, ví a Torre Eiffel, os jardins de Luxemburgo, a Sorbone, o Chateau de Versailles, a catedral de Notre-Dame e os museus Louvre e D'Orsay. E também comi muito bem e barato: assim como na Itália, os vinhos locais custam em média dois euros: uma barganha. Queijo suíço então custa centavos. Parei em algumas padarias para saborear brownies e tarteletes; tudo maravilhoso. Não tive sorte nos restaurantes, pois não entendia o cardápio e os garçons são muito impacientes.

Mas o ponto mais importante da viagem foi numa confeitaria perto do meu hotel. Estava eu andando pelo quarteirão quando vi chocolates maravilhosos na vitrine e entrei para saber o preço. Uma francesa veio me saudar. Fiz logo que não falava francês e entendi a moça perguntar que linguas eu falava. E eu disse:

- Portuguê, italien, anglá...
- Portuguê? Então vamos falar português!

Para a minha surpresa a parisiense era fluente em português e me explicou em detalhes os sabores e preços dos chocolates. Enquanto ela falava eu ficava pensando: caramba, essa francesa fala bem o português. Tudo empacotado, era hora de pagar e eu tive que elogiar:

- Olha, meus parabéns: a senhora fala muito bem o português!
- É porquê eu sou portuguesa!

Meu Deus! Que gafe! Tive vontade de desaparecer. Aí ela me explicou que nasceu em Paris, mas os pais são portugueses. Dias depois deste trauma, estávamos fazendo o check-in para voltar ao Brasil. A funcionária da Air France, para nossa surpresa, nos atendeu em português. Eu, traumatizado, perguntei logo:

- A senhora é portuguesa?
- Ora pá, e com este sotaque não percebes?
- Ah tah...

Assim como a viajem à Itália, as fotos de Paris encontam-se no meu album do Fotki.

La Stronzita



Primeiramente mil desculpas aos leitores (se acaso ainda tenho algum) pelo longo jejum. É impossível registrar em apenas um post tudo o que ocorreu neste semestre, mas vamos começar pelo começo.

No final de Setembro minha mãe e eu embarcamos para a Itália. Após 12 longas horas de vôo e mais uma conexão em Paris finalmente chegamos a Milão. Para começar com pé direito, um motorista nos levou do aeroporto até um bar, onde deveríamos esperar pela guia turística. Depois de horas esperando e muitos telefonemas, a criatura finalmente apareceu. Era uma espanhola baixinha e estabanada, que logo apelidamos de Stronzita. Stronza no italiano quer dizer anta, mula. O suffixo foi só para dar uma sonoridade casteliana.

Para quem não sabe estou estudando italiano desde o início do ano, e esta viagem serviu para aprimorar a conversação; só que neste caso a conversação em espanhol. A Stronzita nos acompanhou em 90% da viagem e durante todo esse tempo só escutamos português e espanhol. Foi difícil conhecer pessoas e lugares tendo que seguir-la. A melhor dica que posso dar a um viajante é viajar por conta própria; guia turística nunca mais.

Pois bem; visitamos Milão, Pádua, Assis, Verona, Florença, Veneza, Pisa e Roma (com certeza estou esquecendo de alguma). No primeiro dia em Milão e nos 2 últimos em Roma ficamos livres da Stronzita, e portanto estes foram os melhores. Nos últimos dias de viagem já havia adquirido plugs de orelha, pois a nossa 'amiga' não se cansava de falar ao microfone dentro do ônibus.

Mas tirando a Stronzita, a viagem foi maravilhosa. Os italinos em geral foram simpáticos, principalmente as velhinhas que tinham muita paciência para dar informação. Alguns velhinhos são rabugentos e te atendem mal nas lojinhas de lembranças, mas esses são excessão.

Os táxis são enormes e possuem computador de bordo com um mapa da cidade. As ruas e estradas são muito bem conservadas. O metrô deixa a desejar, mas as linhas de ônibus são sensacionais. Cada ponto tem um nome, como se fosse uma estação de metrô, e também uma placa mostrando todos os ônibus que por alí passam e o trajeto completo de cada um. Alguns pontos possuem até um letreiro diginal que diz qual o próximo ônibus quantos minutos faltam. Ou seja: quem diz que a Itália é zoneada não passa de um brasileiro invejoso.

A comida é maravilhosa. A pizza quadrada (pizza al taglio) tem o mesmo gosto da pizza da minha falecida avó. O curioso é que, mesmo com uma culinária virtosa, os italianos em geral não são gordos. Os sorvetes, principalmente de limão, são espetaculares. Foi interessante ver, no último almoço que fizemos num restaurante simples, um casal super bem vestido que não abria mão do ábito de raspar o fundo do prato com um pedaço de pão.

O que posso dizer da arte? Foi uma infinidade de igrejas, museus, praças, estátuas, monumentos, etc. Tudo lá é histórico e bem conservado. Tive a oportunidade de ver David e Moisés de Michelangello, a Torre de Pisa, a Fontana de Trevi, a Capela Sistina, a Catedral de Milão, o Coliseu, dentre outros.

As melhores fotos da viagem estão disponíveis no meu album do Fotki.

Isso é tudo por hora, mas a viagem ainda não acabou. Aguardem...

quarta-feira, setembro 13, 2006

Cientistas Desocupados




Todo dia algum cientista desocupado anuncia uma descoberta fenomenal: algum alimento ou hábito que pode curar ou causar doenças. Consultando um famoso site de notícias, encontrei a seguinte pérola: "Café sem cafeína aumentaria risco de doença cardíaca". O site também apresenta as últimas notícias relacionadas ao assunto:

  • Chá verde reduz riscos de doenças cardíacas, diz estudo
  • Chá chinês pode curar icterícia
  • Tomar chá pode melhorar memória, diz pesquisa
  • Camomila pode aliviar resfriados e cólicas, diz estudo
  • Chocolate escuro controla diabetes e pressão alta

Isso porque estamos falando só de café e simpatizantes. Já repararam quantas notícias por aí apontam qualquer coisa como causa ou cura do câncer? Não foi difícil encontrar mais anedotas científicas:

  • Calor pode ajudar no combate ao câncer
  • Raio-X do tórax pode aumentar risco de câncer
  • Emagrecer ajuda a prevenir câncer de mama, diz estudo
  • Colesterol pode ampliar risco de câncer de próstata
  • Gengibre pode combater câncer de ovário, diz estudo
  • Ômega 3 detém câncer de próstata, diz estudo
  • Substância na pimenta pode ajudar contra câncer da próstata

Esses cientistas são muito criativos em justificar gastos com pesquisas, mas alguém vai mudar de vida a cada nova "descoberta"?

PS: Ler esse blog dá câncer.

terça-feira, julho 11, 2006

Au Revoir Zidane



No início todos torceram contra, com medo de encarar a Squadra Azzurra na final. Depois da nossa atuação patética, chegaram a torcer para Portugal. Mas, quem diria, foi a Itália quem vingou o Brasil.

Viva la Squadra Azzurra, e Zizou que Zidane!

segunda-feira, junho 26, 2006

8 Minutos



É o tempo que a luz do Sol leva para chegar à Terra. Isso significa que a nossa visão do astro rei sofre um atraso de 8 minutos. É pouco se comparado à Via Láctea: se uma estrela estinguir-se só descobriremos o fato daqui a 50,000 anos. Mas isso não importa, pois você tem aluguel a pagar.

O ser humano é egoísta; olha apenas para o próprio umbigo. Tudo está bem se com ele estiver bem. Nosso universo se limita a pessoas que conhecemos, aquilo que fazemos, coisas que compramos, etc. Nossa realidade é limitada e não nos interessa o que ocorre fora dela. Mas o que está acontecendo do outro lado da galáxia?

A humanidade é insignificante para o universo; mas fazemos de nossas vidas universos à parte. Tão complexos são os nossos problemas, e tão irrelevantes eles são para o infinito que nos cerca. Talvez nossa existência seja mero acaso, ou quem sabe há mesmo um plano divido para nós. O importante é que o mundo não gira ao nosso redor.

Amanhã você nem vai lembrar de tudo isso; apenas dará continuidade a sua existência, tão importante para você mesmo. Mas, quem sabe, seja contaminado pela curiosidade e pergunte-se de onde viemos ou para onde iremos. Pelo menos enquanto está preso no trânsito..